O papel do homem mudou?
- Daniel Lacerda

- há 3 dias
- 2 min de leitura
Derrepente tudo é assédio, homem não é mais aquele que veste só azul, e as vezes querer
pagar a conta e abrir a porta do carro podem ser vistos como red flag... em algum momento parece que "ser homem" mudou e tá difícil.

Acho que antes de mais nada, talvez seja importante a gente se perguntar: quais as características de um homem? é alguém viril? que defende a própria honra? que é provedor daqueles que lhe são próximos? Me parece que existe um consenso que sim. Ou pelo menos estas são as caraterísticas desejadas ou esperadas de um homem.
Seguindo nessa linha, quando será que foi que essas características foram postas como aquelas que são atribuídas a homens? Será que foi uma época onde a cultura era parecida com a nossa? Em um tempo onde pessoas tem o mundo na palma da mão, e nunca foi tão fácil ter acesso a informação?
Deixando de lado tantas interrogações, acho válido seguir a partir de agora com a premissa de que dos tempos quando foram assentadas as características esperadas do homem, o mundo mudou. E com ele, faz sentido de que as características dos papéis de gênero tenham mudado também.
Poxa Daniel, não começa com essa história de gênero não. Maior "mimimi". Me permita reformular então: Em tempos de inteligência artificial, aplicativos de encontro, onde mulheres chefiam a maioria dos lares brasileiros (segundo censo IBGE 2022 e pesquisas de 2024/25), certamente algumas mudanças aconteceram.
Aqui talvez comece a chegar em você o resultado destas mudanças: se o homem precisa ser
viril, estar sempre atento à defesa de sua honra e prover quem estiver próximo, não conseguir cumprir com estas metas pode virar fonte de sofrimento e fazer você se sentir "menos homem". E pior, elas vão acumular com outras cobranças: estudos, trabalho, desempenho amoroso, etc.
Nunca foi tão fácil rolar um feed e ver uma crítica ao homem. Concordando ou não com o que tem se falado nas mídias disponíveis atualmente, as falas estão lá, mesmo você não se considerando machista, violento ou agressor.

Talvez você aí que está lendo já tenha sentido um desconforto em ter que fazer aquilo que é esperado de você enquanto homem, mas não parou pra pensar ou não deu muita atenção porque não tem com quem falar disso sem ouvir um "isso é besteira", "papinho de gay", "tu tá precisando é tomar uma, transar". Até chorar pode ser difícil, afinal, ser sentimental não é visto como uma coisa de homem.
Não somos cópias perfeitas de quem veio antes de nós, em algum momento do caminho, algo não faz sentido, há a necessidade de discordar.
Como alguém que trabalhou e trabalha com homens, queria colocar à sua disposição um espaço seguro pra falar sobre essas dores ou sobre algo que este texto conversou com você. Um lugar onde cabe um desabafo honesto, sincero, e acima de tudo, sigiloso. Um espaço reflexivo e construtivo.

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