Família é sinônimo de aliados?
- Daniel Lacerda

- 28 de jan.
- 3 min de leitura
A coisa mais comum, enquanto estamos conversando com alguém, é ouvirmos uma referência sobre algum familiar (um tio, um sobrinho, pai, vô, mãe), sobre alguma situação que essa pessoa passou, ou que recebeu apoio, até mesmo um desentendimento. Independente do contexto, fica ali presente a sensação do vínculo entre aquelas pessoas.

Porém, existem também aqueles que não se entendem bem com seus familiares, por motivos que são tão variados que poderiam, sinceramente, preencher sozinhos um texto desses. E nestes casos existe um sofrimento, independente se você escolhe ser uma pessoa direta e aberta, afirmando que sim, cortei contato com minha família ou se escolhe o silêncio.
A família é tida como um dos principais pilares da nossa rede de apoio. Já precisou escrever quem vai ser seu contato de emergência? Pois é. Já parou para pensar que isso pode ser uma grande farpa para alguém? Uma pergunta assim pode fazer a pessoa revisitar toda a história do porquê cortou laços com pessoas que eram para ser um porto seguro.
Sinto que é importante dizer também que a família é um ponto muito central culturalmente. Um almoço de domingo, o natal em família e aniversários (para citar alguns exemplos), são eventos que fazem parte inclusive do cuidado de bem-estar social de muitas pessoas, especialmente quando somos constantemente lembrados de escolher bem os locais onde podemos expor nossas vulnerabilidades. Com o rompimento de vínculos, esses eventos acabam saindo da nossa vida e pode se tornar mais difícil confiar.

Feitas estas considerações, a família é o local onde aprendemos nossas referências: como ser uma pessoa educada, como demonstrar carinho, como lidar com emoções, etc... mas
essas referências podem ser positivas (esse jeito de ser faz sentido para mim) ou negativas (vejo o que você me ensina e quero ser o contrário disso) e isso não necessariamente querem dizer que são boas ou ruins.
O grande problema é quando a forma de ser que achamos fazer sentido não se alinha com as expectativas do meio familiar. Uma frase clássica até bem recentemente era a de que apenas médicos, engenheiros e advogados eram profissões de sucesso, o resto poderia ser um hobby. Neste caso, alguém que escolhia fora destas três profissões entrava em um atrito com sua família, que podia levar a este resultado de corte completo dos laços relacionais.
Apesar de ter falado um exemplo já datado, outros motivos levam a este mesmo lugar de conflito e separação: orientação sexual, relacionamentos que não são bem vistos, quebra de regras rígidas... a lista continua.
O que eu queria deixar aqui com este texto é um pouco de luz sobre um sofrimento que parece ser invisível. Pode ser bem difícil observar o resto do mundo se dando bem com a família, com mensagens preocupadas dos pais, dizendo "te amo" para outros parentes e lidar com a sensação de que você não tem nada daquilo, ou da injustiça que te levou a deixar esses momentos para trás.
Aqui no finalzinho, queria primeiro te agradecer por ter lido até o fim. Família é esse lugar inicial do nosso desenvolvimento sim, mas nem sempre é casa, destino final. Pode ser também um ambiente muito hostil. Apesar de parecer, queria te dizer que você não está só nessa situação.

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