Difícil é dizer "não".
- Daniel Lacerda

- 22 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 2 de nov. de 2025
Dizer "não". Essa palavra pode ser tão forte e ter tanto impacto, que pode ser difícil de dizer pra alguém, com medo de como a pessoa vai interpretar: ingratidão, incômodo, de estar sendo deixada na mão, etc...

E aqui tem uma contradição que acho super interessante: o medo da interpretação do outro a respeito do nosso "não" nos leva a dizer "sim" para coisas que não queremos, não gostamos, ou não estamos com vontade de fazer. Só que ao fazer isso, a negativa que gostaríamos de ter dado ao outro, damos a nós mesmos.
"Olha Daniel, não entendi." Então, pensa comigo o seguinte: quando a gente aceita algo que inicialmente nos chega como desagradável, ou até mesmo aversivo, a gente dá o "não" pra essa nossa voz que fica dizendo pra gente coisas do tipo "não vai pra essa festa! Você nem gosta daquele tipo de música" ou "não aceita dar essa carona, essa pessoa mora muito longe de você e está só te usando nesse momento".
E os motivos para nós fazermos isso terminam se encontrando no Outro. Seja porque é importante que a outra pessoa goste da gente, seja porque temos medo do que vão pensar se dissermos não, enfim... os motivos são variados.
Mas o que eu quero chamar sua atenção com isso, é que na incapacidade de dizer não a gente se torna refém daquilo que imaginamos que o outro quer, gosta ou espera da gente. Fica sempre orbitando a possibilidade de agradar, de dizer um sim e correndo um risco grande de, no processo, nos machucarmos para poder deixar o outro confortável.

Podemos aprofundar um pouco mais se considerarmos que o outro é algo que está sempre mudando. Aquila atitude que poderia ganhar vários pontos positivos com alguém em um determinado dia, no outro, pode ser icômoda, invasiva e até mesmo a causa de algum atrito na relação de vocês. E como que eu posso afirmar isso? Porque nós mesmos passamos por essa mudança, onde aquilo que um dia já foi algo agradável, hoje pode já não fazer sentido.
Não há como saber o que o Outro deseja. Ele é uma grande incógnita neste lugar que é o convívio social da Vida. E se tornar refém daquilo que jamais poderemos compreender totalmente é viver uma insegurança que pode ser muito danosa a nós mesmos. É colocar como primordial, central, algo que não conhecemos de fato.
Então, o convite é trazer para esta relação, a atenção adequada a algo que você pode conhecer de fato, naquilo que agrada ou desagrada: você.

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