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Apoio emocional: quando tudo o que precisamos é não estar sozinhos.

  • Foto do escritor: Daniel Lacerda
    Daniel Lacerda
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

“Você está bem?” A pergunta mais comum em momentos quando alguma coisa não vai bem. Às vezes a pergunta vem de alguém próximo, às vezes de uma pessoa que percebeu alguma mudança no nosso jeito de falar, de responder...


E mesmo quando a resposta é simples e obviamente “não”, parece que a gente é obrigado a dizer "sim".


Mãos diversas sobrepostas em gesto de apoio e união, sobre mesa de madeira, com luz suave e fundo desfocado.
É difícil encontrar pessoas que nos façam sentir verdadeiramente acolhidos.

Por mais que seja comum ouvir "pode contar comigo" ou "devia ter falado, me ligado", pode ser difícil encontrar apoio em alguém quando você realmente decide procurar uma pessoa para conversar.


Pois por vezes a conversa que era pra fazer você se sentir melhor, aliviar, se torna uma maratona tendo que aguentar um grande discurso tomando cuidado para não magoar a pessoa que está falando.


Apoio emocional é diferente de encontrar uma solução.


Às vezes, esse apoio é uma coisa simples: poder contar o que aconteceu sem precisar organizar tudo antes. É ter alguém que consiga ouvir “eu não estou bem” sem imediatamente perguntar o que você pretende fazer a respeito. É poder ficar em silêncio. É também ter alguém que perceba que, naquele momento, talvez você não esteja procurando uma resposta, e sim companhia ou apenas reclamar da situação.


Existe uma diferença importante entre tentar resolver o sofrimento de alguém e estar presente diante dele. Estamos sempre sendo incentivados a dar conta das coisas: resolver problemas (o mais rápido possível), seguir em frente, ser forte, encontrar uma saída, e sempre de forma otimista. Isso acaba vazando pra nossa forma de cuidado também, por exemplo:


“Você precisa pensar positivo.”

“Isso vai passar.”

“Se eu fosse você, faria...”

“Mas você já tentou...?”


São frases que provavelmente você já escutou, que até nascem de uma intenção de cuidado, mas que nem sempre fazem nos sentir ouvidos, e, bem, cuidados. Apoio emocional começa justamente quando deixamos de tentar consertar a experiência do outro e dá espaço para ela: suas dores, pensamentos, sentimentos e falas.


Pois tem coisas que não precisam imediatamente de uma solução, mas sim de espaço. O que não significa que conselhos sejam sempre ruins, ou que conversar sobre possíveis caminhos não faça parte de uma relação de cuidado. Significa apenas reconhecer que existem momentos diferentes.



Pedir ajuda pode fazer parecer que somos fracos e queremos que os outros resolvam nosso problema por nós
Pedir ajuda pode fazer parecer que somos fracos e queremos que os outros resolvam nosso problema por nós

Também existe uma outra dificuldade: nem sempre sabemos pedir apoio. Talvez porque tenhamos aprendido que demonstrar fragilidade é perigoso. Talvez porque não queiramos incomodar. Talvez porque já tenhamos procurado alguém antes e recebido uma resposta que fez com que pensássemos duas vezes antes de tentar novamente. E, assim, podemos acabar precisando de companhia enquanto nos afastamos das pessoas.



Uma das coisas mais importantes de lembrar é que pedir apoio não transforma você em um peso para as pessoas que estão ao seu lado. A gente acaba decidindo pelos outros o que é um peso ou não, e nesse processo, cuidando deles e ficando sem cuidado nós mesmos.


Você também pode ser cuidado.

Você também pode não saber o que fazer.

Você também pode precisar de alguém.


E se esse texto conversou com você e está difícil ter com quem falar sobre aquilo que está vivendo, talvez seja importante olhar com cuidado para essa solidão. Não como uma falha sua, mas como algo que merece ser compreendido.


A psicoterapia pode ser um desses espaços: um lugar onde você não precisa chegar sabendo exatamente o que dizer ou como resolver o que está acontecendo, mas onde você possa começar a falar.



 
 
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